HRSM se destaca nos atendimentos a pacientes com TEA nos ambulatórios de Odontologia PCD e de Fonoaudiologia Pediátrica

Jurana Lopes

Nesta quarta-feira (2) é o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. A data foi criada em 2007 pela Organização das Nações Unidas (ONU) visando promover conhecimento sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), bem como sobre as necessidades e os direitos das pessoas autistas. O autismo é uma condição de saúde relacionada ao desenvolvimento do cérebro e afeta aspectos da comunicação, linguagem, comportamento e interação social.

Pensando no atendimento humanizado e no bem-estar de quem busca atendimento, o Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) conta com dois serviços que atendem pacientes autistas: trata-se do ambulatório de Fonoaudiologia Infantil e o ambulatório de Odontologia PCD. Cerca de 30% a 60% dos pacientes atendidos nos dois serviços são autistas.

De 2017 até 2024, o Hospital Regional de Santa Maria lidera o ranking dos hospitais públicos do DF com maior número de tratamentos odontológicos realizados em Centro Cirúrgico para pacientes com necessidades especiais, totalizando 241 na somatória de todos os anos, superando até os atendimentos do Hospital da Criança de Brasília (HCB), que registrou, ao longo dos oito anos, 197 tratamentos. Só em 2024, foram 62 atendimentos no Centro Cirúrgico.

“Algumas vezes tentamos o manejo no ambulatório e não dá certo, levamos então para o Centro Cirúrgico, fazemos os exames de sangue, de risco cirúrgico quando possível e fazemos todos os procedimentos sob anestesia geral. Então, aproveitamos que o paciente está sedado e fazemos tudo que for preciso, extração, canal, restauração, limpeza, tudo em um dia só no Centro Cirúrgico”, explica o cirurgião-dentista do ambulatório PCD, Diego Sindeaux.

Segundo o profissional, os pacientes autistas têm um manejo diferenciado e não é possível fazer o tratamento de maneira tão rápida, tendo em vista que a maioria deles possui hipersensibilidade a som, luz, toque e sabor, que são coisas intensas durante o tratamento odontológico.

“Geralmente, na primeira consulta, conversamos com os pais para conhecer e adaptar o tratamento às especificidades de cada paciente e isso demanda tempo. Fazemos a adaptação de acordo com cada um, pois iremos tirá-los da rotina. Além disso, sempre focamos na humanização, trazendo coisas lúdicas na hora do atendimento, utilizando meios visuais, falamos o que iremos fazer, demonstramos em modelos, para evitar que eles estranhem tanto, o que sai muito da rotina”, informa o dentista.

Sindeaux destaca que a boca tem uma sensibilidade maior, inclusive, até para os pacientes neurotípicos o tratamento odontológico costuma incomodar, então é esperado que os pacientes com algum tipo de deficiência tenham maior sensibilidade e resistência ao tratamento.

A seletividade alimentar é um fator determinante em alguns autistas. Como muitos pacientes possuem essa condição para alimentos doces, são mais propensos a desenvolver cáries. Outros pacientes já não comem doces e daí têm até um fator de proteção contra a cárie.

“Alguns pacientes autistas possuem resistência em fazer a higiene bucal, outros não. Então, cada caso é um caso e é essencial disponibilizar cuidados específicos e de forma individualizada e humanizada para atender às necessidades odontológicas de pacientes com condições especiais”, enfatiza.

O ambulatório de Odontologia PCD do HRSM funciona segundas, quartas e quintas-feiras. O local atende pacientes de todo o DF por encaminhamento via regulação ou casos de emergência que cheguem até o pronto-socorro odontológico do HRSM. A cirurgiã-dentista Dryelle Flores também atua diretamente com os pacientes do ambulatório de Odontologia PCD, além de uma equipe robusta de técnicos em saúde bucal e os residentes de UTI odontológica.

Para tratar do tema, a equipe de Odontologia vai promover, na próxima quinta-feira (3), às 8h30, no auditório do HRSM, o II Encontro de Conscientização no Atendimento ao paciente com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Fonoaudiologia

Os atendimentos da Fonoaudiologia Infantil são voltados para pacientes com alterações de linguagem, como: atraso no desenvolvimento da linguagem oral; alterações na linguagem oral (dificuldade na compreensão e/ou expressão de ideias e pensamentos); alterações na fala (substituições, trocas ou omissões de sons); gagueira (hesitações, bloqueios, repetições); e não entendimento ou não acompanhamento das atividades na escola (dificuldade no processo de compreensão da leitura, na produção da escrita, na elaboração de textos e trocas ou omissões de letras).

Quando são pacientes com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), durante a primeira consulta, os pais ou responsáveis são entrevistados pela fonoaudióloga para compreender a situação clínica da criança. Após a triagem, inicialmente o paciente realiza 12 sessões de fonoterapia, com duração de 1h cada. Se após essas sessões o paciente ainda necessitar de atendimento, são fornecidos a ele todos os encaminhamentos necessários para uma nova regulação. O ambulatório de Fonoaudiologia Infantil funciona nas quartas à tarde, quintas e sextas-feiras o dia inteiro e atende pacientes de todo o Distrito Federal. Em todo o ano de 2024, o ambulatório de Fonoaudiologia do HRSM realizou um total de 3.123 atendimentos.

Fotos: Davidyson Damasceno/Arquivo IgesDF

Israel Carvalho

Israel Carvalho é jornalista nº. DRT 10370/DF e editor chefe do portal Gama Cidadão.

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