Ministro da Fazenda afirma que a crise do BRB tem “origem criminal”, rejeita que a União absorva os prejuízos e pressiona o GDF a apresentar uma solução para o banco.
Brasília — O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na noite de segunda-feira (1º) que o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, pode ser preso no contexto das investigações que apuram a crise financeira do Banco de Brasília (BRB). A declaração aumentou a pressão política e jurídica sobre o caso e reforçou o tom de gravidade adotado pelo governo federal diante do colapso da instituição.
Ao comentar o cenário do banco, Durigan disse que o problema tem “origem criminal” e associou a crise à gestão anterior do Distrito Federal. Segundo ele, o ex-presidente do BRB já está preso, o ex-governador é investigado e os desdobramentos do caso podem avançar ainda mais.
O ministro também criticou, em termos duros, a tentativa de transferir à União os custos da operação de socorro ao banco. Segundo Durigan, houve discussão no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF) para que o governo federal arcasse com os prejuízos da instituição, hipótese que ele classificou como inaceitável.
Na avaliação do chefe da Fazenda, o prejuízo para o Governo do Distrito Federal (GDF) já está consolidado. Agora, disse ele, a discussão central é saber se o BRB conseguirá se recuperar ou se caminhará para uma solução mais drástica, como liquidação ou reestruturação profunda. Durigan sustentou que os passivos devem permanecer sob responsabilidade do próprio DF.
A declaração provocou reação imediata da defesa de Ibaneis. O advogado Antônio de Almeida Castro, o Kakay, rebateu a fala do ministro e afirmou que a menção a uma possível prisão do ex-governador sugere acesso a “informações privilegiadas”. Segundo o criminalista, Ibaneis acompanha o caso com tranquilidade e permanece à disposição da Justiça. A defesa também argumenta que, durante seu governo, houve autonomia plena para a condução da presidência do BRB.
Em meio ao agravamento da crise, a governadora Celina Leão encaminhou nesta terça-feira (2) à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) um projeto de lei que autoriza uma operação de crédito de até
R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O objetivo é recompor o caixa do banco estatal e restabelecer sua liquidez. A proposta foi enviada em regime de urgência, o que sinaliza a preocupação do Palácio do Buriti com a velocidade do desgaste financeiro.O BRB foi arrastado para o centro do escândalo após operações envolvendo o Banco Master, que hoje estão sob apuração. Parte relevante dos recursos aplicados pelo banco público passou a ser questionada por órgãos de controle e investigação, especialmente após o aprofundamento da crise da instituição privada. O caso ganhou dimensão nacional por envolver bilhões de reais, suspeitas de irregularidades e o risco de impacto direto sobre cofres públicos.
Com a deterioração do cenário, o debate agora se divide entre três frentes: a responsabilização política e criminal dos envolvidos, a tentativa de salvar o BRB de um colapso maior e a disputa sobre quem pagará a conta final da operação. Nesse ambiente, a fala de Durigan eleva a tensão institucional e sinaliza que o governo federal não pretende dividir o ônus de uma crise que considera gerada dentro do próprio Distrito Federal.
O tsunami político provocado pela crise do BRB e do Banco Master pode desencadear um efeito dominó em Brasília e implodir o já sufocado aquário do poder, onde falta oxigênio até para os peixes pequenos sobreviverem.
