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Brasilienses falam sobre a restrição para cachorros em parques públicos

Com a palavra, a comunidade

Frequentadores do Parque da Cidade serão ouvidos sobre a proposta de lei aprovada na Câmara que restringe o passeio de cães em espaços públicos do Distrito Federal. O Jardim Botânico e o Olhos D’Água já vetam a circulação de pets, mas por abrigarem reservas ambientais

 
Afonso, com a mulher, Sílvia, a filha Thalita e as Yorkshires Gibi e Cindy no Parque da Cidade: “Elas são muito calmas e obedientes. Não se afastam nem dão bola para quem passa”

A restrição para cachorros em parques públicos, prevista em um projeto de lei aprovado pela Câmara Legislativa, já vigora em alguns espaços, como o Jardim Botânico e o Parque Olhos D’Água, por se tratarem de reservas ecológicas. Mas, em outros pontos, como o Parque da Cidade, que recebe 140 mil pessoas somente aos fins de semana, a proibição não se justifica de acordo com a opinião de muitos frequentadores. O próprio administrador do espaço, Paulo Debois, disse que quer saber o que a comunidade pensa sobre o assunto.

O consultor de tecnologia da informação Afonso Melo, 57 anos, tem o costume de levar a mulher, a dona de casa Sílvia de Melo, 47 anos, a filha, a enfermeira Thalita de Melo, 23, e as duas Yorkshires da família, Gibi, 6 anos, e Cindy, 10, para passear no Parque da Cidade. Pelo porte pequeno e o temperamento das cadelas, eles não veem problema em deixá-las soltas pelo espaço em que estendem toalhas e jogam cartas. “Elas são muito calmas e obedientes. Não se afastam nem dão bola para as pessoas que passam”, conta Afonso.

Ele explica que as pessoas levam os animais aos parques com o intuito de se divertir e que, quando existem cães mais agressivos, os donos tendem a usar coleira e focinheira, pois “têm certa consciência”. “O mais importante é que as pessoas conheçam seus cães e os eduquem. A responsabilidade é do dono. Assim como existem cachorros que sujam o parque e avançam, têm pessoas mal-educadas que não sabem se comportar, jogam lixo no chão e desrespeitam os outros”, opina Afonso.

Sílvia concorda com o marido e defende o bom senso da população e o respeito ao próximo. “Quando o dono sabe que o cachorro pode ser agressivo, deve tomar certos cuidados, mas isso não é motivo para impor focinheira a todos (os animais)”, ressalta. Pelas regras aprovadas na Câmara Legislativa na última semana, os animais poderão frequentar parques, desde que sejam colocados em espaços específicos, com coleiras e focinheiras (leia Entenda o caso).

As regras são polêmicas e provocaram manifestações nas redes sociais. No próximo dia 26, a ideia é fazer uma “cãominhada” no Parque da Cidade. Até ontem, 1,4 mil pessoas tinham confirmado presença na página criada na internet. O evento é organizado pela própria sociedade civil. Além disso, há uma petição on-line contra o projeto, que recebeu 2.015 assinaturas — a meta é 3 mil.

O administrador do Parque da Cidade, Paulo Debois, acredita que o melhor é ouvir o que a comunidade tem a dizer sobre o assunto. “Queremos promover um debate, uma consulta pública”, reforça. Ele acrescenta que, pela observação que tem feito, as solicitações e reclamações que tem recebido, a maioria absoluta dos usuários do espaço é contra a proposta aprovada pelos distritais. Debois diz ainda que o ideal é uma readequação ao projeto, que possa garantir a segurança dos frequentadores e os direitos dos proprietários de cães e dos próprios animais.

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