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Afonso Brazza – cineastra gamense

Era uma vez um menino de nome José Afonso dos Santos Filho, nascido em São João do Piauí (PI), em 1955.

Adulto, passou a ser conhecido também por Afonso Brazza e Rambo do Cerrado. Seus pais, em busca de uma vida melhor, mudaram-se para Gama e o trouxeram. Em 1969 Afonso vai para São Paulo, capital, e aos 14 anos inicia sua carreira na escolinha de atores de Zé do Caixão. Em terras paulistanas, Afonso trabalhou por dez anos na Boca do Lixo, uma região da capital paulista, localizada próxima à Estação da Luz, que durante os anos 60 e 70 chegou a ser responsável por quase metade dos filmes lançados no Brasil. A Boca do Lixo ficou famosa por ser berço de importantes filmes do chamado Cinema Marginal. Ela foi a grande escola de Afonso Brazza, pois lá ele conviveu com cineastas que marcaram para sempre o cinema nacional e que tinham de lutar contra a censura imposta pelo regime militar que vigorava à época. Lá também Brazza viu nascer a produção e execução de filmes com temas variados: drama, ação, faroeste, romance, aventura, terror, comédia e policial. De volta ao Gama, Brazza entrou para o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, mas não deixou de lado sua paixão pelo cinema. Tornou-se cineasta e produziu filmes de ação que ficaram na história da cinematografia nacional. Seus críticos o consideravam o pior cineasta do mundo, ao que Brazza certa vez disse:

“O pior cineasta do mundo? Sou eu mesmo. Mas sabe por que dizem isso? Porque não tenho dinheiro para superproduções. Esse que está estreando em São Paulo, por exemplo, fiz com rolos de filmes vencidos. O próximo vai ser com negativo novo. Como se pode ver, estou melhorando.”

O crítico de cinema Leon Cakoff, idealizador da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo convidou Brazza para participar do evento, e os jornalistas o perguntaram o porquê de programar o nosso cineasta gamense em uma mostra chique. Leon respondeu:

“Para que a gente possa se enxergar um pouco”.

 

Isso mostra a força, a coragem e a raça de um artista que, lutando contra todas as dificuldades que é produzir arte neste país, deixou um legado de que ele era brasileiro. E brasileiro de verdade não desiste nunca.
(Rock Lane)

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