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Poesia, teatro e cinema se encontram em festival no Museu Nacional

Arnaldo Antunes e NIcolas Behr são algumas das atrações do Transepoesias

Poesia, música, cinema, oficinas, performances e lançamentos se misturam no Museu Nacional da República durante o 1º Festival de Brasília da Poesia Brasileira — Transepoéticas. Idealizado por Adeilton Lima, a primeira edição do projeto reúne uma mostra da produção literária da capital e, para enriquecer a programação, leva ao palco cantores como  Arnaldo Antunes e Eduardo Rangel.
Grandes e novos poetas têm seu espaço garantido para recitar e levar o trabalho ao público. A ideia é movimentar a criação do Distrito Federal e mstrar que a poesia dialoga com múltiplas linguagens.
Adeilton Lima conta que realizar um evento de grande porte em torno da poesia da cidade é um sonho antigo. Ele lembra que o DF é um lugar múltiplo, recheado de várias culturas, sotaques e linguagens, para além do Plano Piloto e tudo isso se reflete na arte produzida na região.
“O bom é também podermos nos abrir para o Brasil e para o mundo. Daí o nome Transepoéticas —  Poéticas em Transe! A semente está plantada e já dando frutos”, destaca o idealizador e poeta. Para ele, a mistura artística pode contribuir para a construção de uma cultura de paz, promovendo o acesso cultural a um público amplo e diverso.
“Essa política de ódio e preconceitos que temos testemunhado recentemente pode ser combatida por intermédio da poesia e com poesia. Precisamos, como sociedade, construir e viabilizar os acessos”, destaca. A ideia é mostrar que fazer poesia é também uma ação social e política.
O festival movimenta a cultura da capital justamente por sua variedade e qualidade dos artistas presentes. Do rap ao texto conhecido como mais tradicional, do olhar matuto à poesia concreta, dos diálogos à experimentação, do barroco ao tecnológico, Gog, Sids, Artur Gomes e Mano Melo, além da performance, do teatro, da música e do cinema.
Discursos poéticos combativos, como os de Jorge Amâncio e Cristiane Sobral, se misturam às irreverências de Vanderlei Costa e Wélcio de Toledo.
Compartilhar e criar 
“A poesia é uma arte grandiosa e Brasília tem desenvolvido uma cultura de saraus muito bacana. Esse evento pretende mostrar que a poesia é uma arte acessível, que dialoga com a vida que corre diante de nós”, lembra Adeilton. Enquanto isso, entre oficinas e debates, o festival busca estimular a produção artística e o acesso, desconstruindo velhos preconceitos ou olhares ingênuos sobre a arte da poesia.
“ Nesse festival a gente pode quebrar essa imagem do senso comum do poeta e da poesia, de que é algo inatingível. Quanto mais você desmistifica, mais você aproxima. A poesia é inútil, mas nada é mais necessário”
Nicolas Behr, poeta
É o caso da oficina poética de Nicolas Behr, que ocorre no último dia do festival, no domingo. Para o escritor, essa é uma boa oportunidade de compartilhar processos criativos e aprender novos caminhos com os participantes. Nicolas conta que a ideia é que os alunos saiam ainda mais confusos do que chegaram, já que o conflito e a incerteza são terrenos férteis para a poesia. “A certeza é limitadora, reducionista, se o cara tem certeza, que nem vá. Espero que a gente possa dividir uma criação poética envolta por uma tensão positiva, que é sempre muito bem-vinda”, destaca.
Durante o encontro, é possível, por exemplo, aprender a tirar do poema palavras que não funcionam e treinar algumas habilidades que tornam a linguagem mais eficiente. O objetivo é aumentar o espanto e o impacto dos poemas, permitir que eles criem um diálogo ainda mais amplo. “O que importa no poema é a não repetição, a densidade, a linguagem, a invenção. Queremos que o poema, que é um texto com linguagem, possa aderir, colar na memória do leitor”, enfatiza Nicolas.
Interação
A poeta Manuela Castelo Branco, ao lado de seu colorido e divertido carrinho do Pipocando Poesia, também está no evento. O projeto de Manuela, que começou em 2009, troca saquinhos de pipoca por poemas levados pelo público. Para participar, vale ler no celular, recitar versos decorados e até mesmo criar na hora. “A ideia do projeto é espalhar a poesia entre todos e mostrar que ela está no cotidiano. Adultos, jovens e muitas crianças costumam participar”, conta Manuela. O carrinho de pipocas se transforma em uma vitrine literária poética e um sarau ambulante.
Correio Braziliense – 07/06/2018 07:30 / atualizado em 06/06/2018 19:25

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