Artista plástico nascido no Gama usa ipês do cerrado como inspiração

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A casinha vermelha imprensada entre dois prédios, na 3ª Avenida do Núcleo Bandeirante, é um ato de resistência. Quando Josafá Neves “ajeitou” o lugar para receber dois dos três filhos que agora moram com ele, caprichou. O pé direito é alto o suficiente para abrigar as telas com mais de dois metros de altura nas quais o artista trabalha constantemente. Um mezanino de madeira projetado pelo próprio Josafá serve de quarto, e a sala, de ateliê. Na entrada, uma escultura de Iansã em madeira de demolição do cerrado saúda os visitantes. É a primeira de uma série sonhada por Josafá: um exército de orixás espalhados por Brasília. Em uma das paredes do ateliê-casa, acima do armário que guarda praticamente todos os desenhos realizados pelo artista desde os anos 1990, está uma tela com um ipê amarelo generosamente florido. Faz parte de outra série, da qual o artista mostra alguns exemplares na galeria Objeto Encontrado.

Para Josafá, pintura é sofrimento. “Não consigo fazer um trabalho simplesmente para vender. Pinto porque é o que gosto de fazer. Tem 18 anos que vivo de arte. O segredo da profissão, de qualquer carreira, é você fazer o que gosta com fidelidade e integridade”, acredita. A pintura de Josafá não tem amarras, mas tem uma constante, um detalhe que ele encara como fundamental na definição de seu estilo. Quando prepara as telas para a pintura, o artista esquece o fundo branco tradicional e cobre a superfície com a cor preta.

Fonte: Correio Braziliense – 24/08/2013

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