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Eleições 2018 | Professor Pacco: “A educação pode não resolver tudo, mas é a base de tudo”

Por Delmo Menezes

“Temos uma militância, que diferentemente de outros candidatos que precisam pagar cabos eleitorais, temos voluntários.Tudo que envolver a proteção a vida e as crianças, eu serei a favor. A discrepância que existe do salário dos professores em todas as unidades da federação, é enorme”. (Professor Marcos Pacco)

Formado em letras, língua e literatura pela Universidade de Brasília, professor de português no ensino fundamental e médio, autor de 10 livros na área de gramática da língua portuguesa, atuando há mais de 20 anos no mercado preparatório para concursos públicos. Este é o perfil profissional do professor Marcos Pacco, candidato do Podemos à Câmara dos Deputados.

Nesta entrevista concedida ao Agenda Capital, o professor Pacco como é conhecido, fala sobre política, educação, família e outros temas relevantes.

Leia a íntegra da entrevista:

AC – Professor Pacco, porque o senhor quer ser deputado federal?

Professor Pacco – Eu percebi que na minha atuação de 25 anos como professor na transformação de pessoas, eu tinha limites. O limite era que fisicamente eu podia alcançar as pessoas. Como deputado federal meu limite é o Brasil. Temos políticas públicas na área da educação, temos projetos que podem impactar o país inteiro. Essas ideias vieram de minha experiência em sala de aula.

AC – Na última eleição, o senhor obteve 27.966 votos. O que lhe faz crer que nesta eleição conseguirá atingir os votos necessários para deputado federal?

Professor Pacco – Na eleição passada eu tinha apoio de parte de um segmento. Hoje, eu tenho apoio de uma parte maior deste segmento. Além disso veio o segmento que é fundamental para nossa eleição, o segmento evangélico. Hoje posso dizer que sou um dos representantes cristãos. Tenho o apoio de um dos maiores líderes políticos desta cidade, que é o deputado Ronaldo Fonseca e outros pastores que também são importantes em nossa cidade.

Professor Pacco (Podemos), candidato a Câmara dos Deputados.

AC – O Candidato de sua coligação ao governo do DF, Rogério Rosso (PSD), tem caído nas pesquisas de intenção de votos. De alguma forma isto pode prejudicar o seu desempenho nas urnas?

Professor Pacco – eu creio que nós temos feito um trabalho que independe de quem venha ser o majoritário. Na verdade, torcemos para que o deputado Rosso cresça nas pesquisas. O nosso trabalho é consolidado, que vem de segmentos estabelecidos em nossa cidade. Estamos nas ruas, conversando com as pessoas, defendendo nossas bandeiras e cremos que iremos alcançar o objetivo.

AC – Recentemente o senhor tomou posse na Câmara dos Deputados na cadeira deixada pelo deputado Rosso. Neste pouco tempo como avalia o ambiente político dentro do Congresso Nacional?

Professor Pacco – De fato, em um mês de mandato, participei de apenas três sessões. O que dá para notar é que apesar de estar no momento de eleição, existem muitas leis que precisam ser votadas, principalmente a questão da reforma da Previdência. Porém eu acredito que neste momento o ritmo da Casa está lento devido as eleições, e esperamos que após o pleito a gente possa votar aquilo que de fato interessa ao país.

AC – O senhor assumiu a presidência do Podemos-DF, em substituição ao deputado/ministro Ronaldo Fonseca. De alguma forma, ser candidato e ao mesmo tempo presidente de um partido em época de eleição, não afeta a sua candidatura?

Professor Pacco – Notamos isto na prática. Afeta sim, mas eu não poderia me escusar dessa missão. O Podemos é um partido que está em franco crescimento. É um partido que defende causas que eu apoio como a educação, a eficiência no serviço público, a transparência de um detentor de mandato. Então, eu não podia me esquivar dessa responsabilidade tão nobre que é construir o Podemos no Distrito Federal. Afeta com certeza minha campanha, pois temos preocupações outras como cuidar dos demais candidatos e da própria conjuntura partidária. Entretanto foi uma opção que fizemos, e que pode também nos ajudar, dado o expoente que nós temos nacionalmente que é o senador Alvaro Dias, nosso candidato à Presidência da República.

Professor Pacco, presidente regional do Podemos-DF e candidato a deputado federal. Foto: Agenda Capital

AC – O professor Pacco é conhecido como o defensor dos concurseiros. Caso seja eleito, vai defender mais concursos públicos para o DF?

Professor Pacco – Na verdade, a Constituição Federal prevê que a forma de ingresso no serviço público é o concurso. Para mim não existe nada mais democrático, principalmente porque eu tive o privilégio de ter contabilizado mais de dez mil alunos aprovados em concursos e pré-vestibulares. Eu vejo a transformação que o emprego público causa na família destas pessoas. Vou continuar na defesa dos concurseiros, porque vejo a transformação sobretudo das pessoas mais carentes.

AC – Semana passada em entrevista ao Agenda Capital, o senador Cristovam Buarque (PPS), afirmou que a educação de base tem que ser federalizada. O senhor concorda com esta proposta?

Professor Pacco – Eu concordo plenamente porque isto implica por exemplo, na criação da carreira nacional do magistério. O senador Cristovam tem uma de suas leis aprovadas, que cria o piso nacional do professor. Ainda assim, a discrepância que existe do salário dos professores em todas as unidades da federação, é enorme. Federalizando a educação, criaremos a carreira nacional do magistério, estabelecendo uma remuneração equivalente as das escolas técnicas federais, para todo Brasil. Em todos os países do mundo que alcançaram um nível de qualidade na educação, priorizaram a remuneração do professor. Isso tem que acontecer no Brasil. Eu tenho com parâmetro por exemplo, o salário de analista do judiciário de tribunais. Um analista de um tribunal ganha em torno de 11 mil reais iniciais. Este mesmo salário precisa ser do professor em início de carreira.

AC – Qual será a principal bandeira que vai defender na Câmara dos Deputados?

Professor Pacco – Eu tenho duas bandeiras principais. Uma é tão importante quanto a outra. A educação e a família. Tudo que envolver a proteção a vida e as crianças, eu serei a favor. Sou contra o aborto, contra a legalização das drogas, e a ideologia de gênero.

AC – O senhor é contra ou a favor da descriminalização do aborto?

Professor Pacco – Sou totalmente contra a descriminalização do aborto. Algumas pessoas falam: “Mais você não está preocupado com a mulher”. O corpo da mulher é regra dela. Eu estou preocupado com a mulher e com a criança. Por que a nossa Constituição deixa claro, que é uma violação dos direitos humanos, o aborto. Sou a favor em que o Estado promova uma garantia as mulheres. Temos que aperfeiçoar os mecanismos de adoção. O Estado precisa ajudar e auxiliar as mulheres, no aspecto psicológico, com uma política eficaz de adoção, e que garanta a mulher um atendimento nas instituições de proteção a ela. Então, não é simplesmente proibir, sem dar uma alternativa as mulheres.

AC – Como o candidato professor Pacco tem se virado em uma campanha curta e de poucos recursos financeiros?

Professor Pacco – Construímos uma relação de amizade muito forte ao longo de 25 anos como professor e gestor. Fui administrador de Brasília e conquistamos uma relação de amizade com todos. Além disso, temos uma militância, que diferentemente de outros candidatos que precisam pagar cabos eleitorais, nós temos voluntários. Alcançamos a marca de mais de mil voluntários em nossa campanha. Às vezes, são voluntários que ficam em suas casas pedindo voto pelas redes sociais.

AC – O atual modelo político se tornou ineficaz. A corrupção é um câncer que precisa ser extirpado de nosso país. Como resolver isso?

Professor Pacco – Na minha opinião, o cerne de tudo está na educação e na luta contra a impunidade. O Brasil melhorou seus mecanismos em relação a prisão de pessoas que cometem delitos políticos. Hoje temos um ex-presidente preso, um ex-presidente da Câmara dos Deputados preso no exercício do mandato. Temos também, ex-senador preso, ex-ministro preso, e temos uma população que é totalmente a favor da Lava Jato. Precisamos acabar com a impunidade nesse país, e investir fortemente na educação básica. A educação pode não resolver tudo, mas é a base de tudo. Uma educação que vai além de português e matemática. Uma educação que envolve noções de direito constitucional, noções de cidadania, educação financeira e participação social. Aí entra por exemplo, a escola de tempo integral. Temos que fazer uma verdadeira cruzada pela escola integral e proibir a educação ideológica nas escolas. Temos que fazer a reforma curricular. Os nossos currículos são praticamente o mesmo de 500 anos atrás. Precisamos trazer uma atualização de currículo, de método e principalmente do respeito ao professor.

AC – Caso eleito, como será sua postura dentro da Câmara dos Deputados?

Professor Pacco – A mesma postura que eu adoto na minha vida. Adotei até agora os princípios que aprendi com meus pais, que são nordestinos, e que vieram para Brasília quando da construção desta capital. O princípio da correção, da honestidade, e o princípio do diálogo. Eu não vou negar a política. A verdadeira política é a arte de fazer o bem, de promover o bem comum, o bem-estar das pessoas. E isso envolve o diálogo. Uma das coisas que as pessoas observam em mim, é a capacidade do diálogo e conciliação. Não o toma-lá-dá-cá, não uma conciliação fisiológica. Uma conciliação que tente construir um resultado positivo para as pessoas de bem desta cidade.

Da Redação do Agenda Capital – 28/09/2018

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