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Greve dos assistentes sociais já dura dois meses e problemas se agravam

Servidores da assistência social do Distrito Federal estão em greve desde março e pedem o pagamento de uma parcela do reajuste salarial, concedido em 2011. Sete anos depois da negociação, a situação não se resolve por falta de verba, de acordo com a gestão atual.

Além de exigirem o pagamento do reajuste, os servidores denunciam precariedade na estrutura dos centros de assistência — no Centro de Convivência de São Sebastião, a energia está cortada há 40 dias. Outra reivindicação da categoria é a convocação de novos concursos públicos. Segundo o Sindicato dos Servidores da Assistência Social (Sindsasc), o segmento terá, ainda neste ano, déficit de pessoal próximo de 80%, devido a aposentadorias.

Enquanto o embate entre servidores e GDF não se resolve, quem sofre é a população. No Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de São Sebastião, apenas funcionários lotados em cargo comissionado trabalham com 100% do efetivo. Os servidores do GDF dizem respeitar a greve legal e manter 30% dos funcionários nos postos de trabalho. Ainda assim, os centros só solicitam o benefício mais urgente — auxílio por morte.

Sem auxílio

Moradora da Vila Nova (São Sebastião), Camila Nunes de Siqueira, 26, depende de benefícios socioassistenciais solicitados pela equipe do CRAS. “A gente liga lá e quem atende são os vigilantes, dizendo que estão em greve. O auxílio vulnerabilidade não caiu na conta até hoje por causa dessa greve”, reclama.

Para a mulher, que está desempregada, os auxílios são necessários para sobreviver. “Ninguém enriquece com Bolsa Família”, defende-se, em referência a quem é contra a concessão do benefício. “É uma ajuda temporária. Não fosse isso, eu já teria perdido os meus filhos. Muita gente me acusa de viver de esmolas, mas por enquanto é tudo que eu tenho”, desabafa.

Grávida do quarto filho no ano passado, Camila teve descolamento de placenta duas vezes, alega ter sofrido abuso sexual do patrão e foi afastada do trabalho por motivos de saúde. Depois disso, entrou em depressão. “O pessoal do CRAS me ajudou a superar isso. Antes, não conseguia nem abraçar meus filhos”, conta. Antes que a greve começasse, a equipe avisou que os benefícios ficariam suspensos. “Disseram que demoraria para chegar na conta. Esse problema de verba é antigo”, opina.

Falta energia elétrica

O Centro de Convivência de São Sebastião faz parte da atuação da assistência social na cidade, mas está sem luz há cerca de 45 dias. “Lá, crianças e idosos participam de oficinas e os adolescentes podem entrar no programa social Caminhos da Cidadania”, explica o presidente do Sindsasc. Depois de uma enchente que alagou o espaço, a luz não voltou.

O problema coincidiu com uma disputa antiga entre a Administração Regional de São Sebastião e a Secretaria de Estado do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (SEDESTMIDH). “O prédio foi cedido pela Administração ao CRAS, mas quem deve pagar a conta de luz, no valor de R$ 260, é a Secretaria. Se isso não se resolver e a greve acabar, estaremos sem acesso à internet, por exemplo”, afirma a servidora Eliza da Costa.

A pedagoga Fernanda Martins, 58, trabalha no Centro de Convivência desde a inauguração, em fevereiro de 2017. “A estrutura é novíssima e foi entregue com infiltrações, piso manchado. Claramente foi construída por leigos. Por causa de um declive, toda vez que chove entra água. Os ralos não resolvem e a água da rua entra aqui”, relata.

Assistência social em números

» O serviço atende 100 mil famílias do DF, de acordo com o Sindsasc.

» A categoria conta com 1.400 servidores, entre auxiliares, técnicos e especialistas (assistentes sociais, psicólogos e pedagogos).

Jornal de Brasília – 08/05/2018

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