Para celebrar o Dia Internacional contra a Discriminação Racial, ministério lança a campanha “Eu sou a cor do Brasil”

No último domingo (21), para impulsionar o diálogo e celebrar o Dia Internacional contra a Discriminação Racial, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) lançou a campanha “Eu sou a cor do Brasil”.

A ação da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SNPIR), que conta vídeo e peças nas redes sociais do ministério, chama a atenção para o combate ao racismo, a discriminação e quer promover a igualdade de oportunidades por meio de iniciativas que tem como objetivo diminuir o preconceito racial no Brasil.

“É inadmissível que ainda ocorram tantos casos de racismo em nosso país. A promoção da igualdade racial é uma das pautas prioritárias do nosso ministério. Por isso, em nossa estrutura, temos a Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, que completa 18 anos de criação hoje. Esta é uma das nossas bandeiras”, disse a ministra Damares Alves.

A SNPIR atua na formulação, coordenação e articulação de políticas e diretrizes para a promoção da igualdade racial. Também trabalha com 28 povos e comunidades tradicionais. Nestes segmentos da sociedade, estão os indígenas, os quilombolas, os ciganos, entre outros.

“A SNPIR tem o firme compromisso de que a política a ser desenvolvida não é de governo, mas de Estado. O principal legado que vamos deixar é, certamente, na informação, educação e cultura do povo brasileiro. Com isso, acreditamos que vamos proporcionar para as futuras gerações o discernimento que as diferenças não vão representar separatismo, conflito e ódio. Não queremos várias sociedades brasileiras, queremos uma sociedade brasileira”, apontou o titular da SNPIR, Paulo Roberto.

No Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são cerca de 947,2 mil indígenas e 435,5 mil quilombolas. O IBGE estima também que, no Brasil existiam, em 2019, 7.103 localidades indígenas e 5.972 áreas quilombolas.

Cartilha

Como entrega à sociedade por estes 18 anos de existência, secretaria lança cartilha digital com orientações para os estados e municípios sobre como aderir ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir).

Acesse a cartilha.

O Sinapir tem o objetivo de organizar e articular a implementação do conjunto de políticas e serviços destinados a superar desigualdades étnico-raciais no Brasil.

Os entes federados que se associarem ao sistema podem concorrer a bonificação de 50% de pontos nos editais anuais da SNPIR.

Além disso, as unidades podem ter os Núcleos de Estudos Afro-brasileiros (NEABs), ligados às suas universidades estaduais ou federais, apresentando projetos para receberem recursos financeiros.

Ao incorporar-se ao sistema, estados e municípios podem ainda receber o curso de capacitação em políticas de promoção da igualdade racial executado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Atualmente, já fazem parte do sistema 22 estados, o Distrito Federal e 89 municípios.

Ações

Em 2021, a secretaria tem trabalhado para assegurar a execução de Acordos de Cooperação Técnicas (ACTs). O primeiro deles é em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), para produção de conteúdo para curso a distância a ser fornecido em plataforma destinada aos integrantes do Sistema Único de Segurança Pública. A formação tem o objetivo de incentivar e qualificar as ações e atividades de promoção da Igualdade Étnico-Racial.

Outra colaboração é com o Ministério da Educação (MEC) para a implementação do “Projeto Igualdade Racial nas Escolas”. A iniciativa foca em promover a capacitação de professores do ensino fundamental, possibilitando a conscientização de forma igualitária, para implementação de ações que visam a conscientização da igualdade racial na escola.

Ainda em parceria com o MEC, os órgãos viabilização a implementação do projeto piloto: “Curso de Extensão: Aplicando a Lei n.º 10.639 – História da Cultura Afro-Brasileira e as Relações Étnico-Raciais na Escolas”. O texto legal inclui no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática.

Outro ACT é com o Ministério da Saúde para elaboração de estratégias e ações intersetoriais voltadas à promoção da equidade. A meta é enfrentar os determinantes sociais e melhorar as condições de saúde de populações específicas e em situação de vulnerabilidade social.

Além disso, em 2020, diante da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), o Governo Federal investiu cerca de R$ 45 milhões para distribuição de cestas de alimentos aos povos tradicionais. O recurso permitiu direcionar os 401,6 mil mantimentos a mais de 222 mil famílias em todo o país.

O recurso veio do orçamento extraordinário, que é 100% destinado para o combate a insegurança alimentar e nutricional causado pela pandemia. Com esse aporte, a SNPIR adquiriu cestas básicas para garantir que índios e quilombolas não saíssem dos locais onde vivem para buscar comida, evitando dessa forma, a proliferação do vírus.

Outra importante política desenvolvida pela SNPIR é o fornecimento de equipamentos aos Conselhos de Promoção da Igualdade Racial. Os kits de equipagem, como são chamados, contém veículos, computadores, smart tvs, bebedouros, caixas acústicas e refrigeradores.

A iniciativa contemplou os estados de São Paulo, Mato Grosso, Acre, Pará, Alagoas, Pernambuco, Goiás, Paraná e Santa Catarina. O investimento foi de cerca de R$ 2 milhões.

A SNPIR implementou também o Projeto Cisternas, por meio do qual 2.343 tanques de armazenagem de água da chuva foram entregues para as famílias quilombolas do semiárido brasileiro e do Território Kalunga em Goiás, com a construção de cisternas para primeira água (para o consumo humano).

Estas cisternas entregues são objeto da parceria estabelecida com o Ministério da Cidadania, representando 61% do total de 3.857 unidades, com um investimento total de R$ 14 milhões.

A previsão é de que até o final de 2021 todas as cisternas estejam à disposição dos quilombolas para garantir o acesso à água potável para o consumo durante a época de estiagem de chuvas.

Regularização de terras

Em 2020, os recursos disponibilizados para as regularizações de terras foram de R$ 2,5 milhões. O dinheiro foi aplicado para beneficiar a cerca de 994 famílias quilombolas, aproximadamente 4.980 pessoas, em 3 Comunidades Quilombolas nos territórios de Santa Rosa dos Pretos, na cidade de Itapecuru Mirim (MA), Kalunga do Mimoso, em Arraias (TO) e Mata Cavalo, em Nossa Senhora do Livramento (MT). Ao todo são 3,6 mil hectares de terra.

O recurso do ano passado representa acréscimo de 36% a mais do que em 2019, quando foram amparadas cerca de 848 famílias quilombolas, com 3.790 pessoas, em 7 comunidades quilombolas nos estados do Ceará, Paraíba e Bahia.

Denúncias

De acordo com o painel de dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, somente no segundo semestre de 2020 foram registradas 383 denúncias em razão da raça/cor. Após as denúncias serem recebidas pela ONDH, são encaminhadas para investigação dos órgãos competentes para investigação das violações.

O Disque Direitos Humanos – Disque 100 – é um serviço de disseminação de informações sobre direitos de grupos vulneráveis e de denúncias de violações de direitos humanos. O serviço funciona diariamente, 24 horas, por dia, incluindo sábados, domingos e feriados.

A atividade pode ser considerada como “pronto socorro” dos direitos humanos e atende graves situações de violações que acabaram de ocorrer ou que ainda estão em curso, acionando os órgãos competentes e possibilitando o flagrante.

Por meio desse serviço, o MMFDH recebe, analisa e encaminha aos órgãos de proteção e responsabilização as denúncias de violações de direitos de crianças e adolescentes, pessoas idosas, pessoas com deficiência, população pessoas em situação de rua, entre outros.

Para dúvidas e mais informações:
[email protected]

Atendimento exclusivo à imprensa:
Assessoria de Comunicação Social do MMFDH
(61) 2027-3525

Israel Carvalho

Israel Carvalho é jornalista nº. DRT 10370/DF e editor chefe do portal Gama Cidadão.

Related Posts

PL da Dosimetria pode reduzir prisão de Bolsonaro para 2 anos

Relator Paulinho da Força defende mudanças no PL da Dosimetria que eliminam a soma de penas e reduzem punições por crimes de multidão, o que pode diminuir a pena de…

Ler mais

Continuar lendo
Raad Massouh se filia ao Mobiliza 33 e reforça nova fase do partido

O ex-deputado distrital e empresário Raad Massouh oficializou sua filiação ao Partido Mobiliza, antigo PMN. Com trajetória marcada pelo sucesso empresarial, dois mandatos na Câmara Legislativa do DF e forte…

Ler mais

Continuar lendo

Pra você

PL da Dosimetria pode reduzir prisão de Bolsonaro para 2 anos

PL da Dosimetria pode reduzir prisão de Bolsonaro para 2 anos

Raad Massouh se filia ao Mobiliza 33 e reforça nova fase do partido

Raad Massouh se filia ao Mobiliza 33 e reforça nova fase do partido

Policiamento de trânsito autua 43 motoristas alcoolizados no fim de semana

Policiamento de trânsito autua 43 motoristas alcoolizados no fim de semana

Embaixada do Peru celebra 37 anos da Polícia Nacional com cooperação na área de trânsito

Embaixada do Peru celebra 37 anos da Polícia Nacional com cooperação na área de trânsito

Todos os holofotes se voltam para Flávio Bolsonaro, apontado como “herdeiro político” de Jair Bolsonaro

Todos os holofotes se voltam para Flávio Bolsonaro, apontado como “herdeiro político” de Jair Bolsonaro

Banda do CEF 11 do Gama impulsiona o DF no cenário musical estudantil brasileiro

Banda do CEF 11 do Gama impulsiona o DF no cenário musical estudantil brasileiro