U.B.S.S. e os profissionais da revolução

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Se tem um tipo que me incomoda mais até do que os petistas é aquele dito “moderado” que ridiculariza toda preocupação com a ameaça socialista como se fosse coisa de paranoico que ainda não entendeu que a Guerra Fria acabou. Para essa turma, só tenho uma coisa a dizer: não, eu não sou um “radical” de direita preso no tempo; você é que é um alienado!

Tal reflexão veio à mente após ler a excelente coluna – para não variar – de Luiz Felipe Pondé hoje, na Ilustrada da Folha. O título já resume a essência da mensagem: U.B.S.S., ou seja, a União Brasileira Socialista Soviética que estaria em curso em nosso país, simulando como farsa a experiência trágica da U.R.S.S. Vivemos em um país onde, pasmem!, o socialismo ainda é levado a sério!

Pondé fala, claro, do Decreto 8.243, uma tentativa de golpe bolivariano do PT, que foi assinado pela presidente Dilma na véspera do começo da Copa para ver se passava despercebido. E toca em um ponto fundamental, que eu já mencionei em texto sobre as manifestações de 2013: só militantes organizados e pagos têm condições de viver pelo “social”, pois nós, reles mortais, estamos ocupados demais tentando produzir riqueza e ganhar a vida.

A turma do MST ou do MTST, que pensa que tem “direito” àquilo que os outros trabalham para construir, já pode se dar ao luxo de viver pela revolução permanente. Recebem para isso, e nem preciso dizer de onde vem o dinheiro, não é mesmo? Pondé escreve:

Esse decreto é um golpe de Estado sem dizer que é. Lentamente, os setores mais totalitários do país, amantes de ditaduras do proletariado (ou bolivarianas) voltam à cena no Brasil. Comitês como esses tornam os poderes da República reféns de gente que passa a vida sendo profissional militante. Quando você acordar, já era, leis serão passadas sem que você possa fazer algo porque estava ocupado ganhando a vida.

Pergunte a si mesmo uma coisa: você tem tempo de ficar parando a cidade todo dia, acampando em ruas todo dia, discutindo todo dia? Provavelmente não, porque tem que trabalhar, pagar contas, levar filhos na escola, no hospital, e, acima de tudo, pagar impostos que em parte vão para as mãos desses movimentos sociais que se dizem representantes da “sociedade”.

Mas a verdade é que a maioria esmagadora de nós, a “sociedade”, não pode participar desses comitês porque não é profissional da revolução.

Tais movimentos que se dizem sociais, que afirmam que as ruas são deles, mentem sobre representarem a sociedade. Mesmo greves como a do metrô, capitaneada por uma filial do PSTU, não visa apenas aumentar salários. Visa instaurar a desordem para que o Brasil vire o que eles acham que o Brasil deve ser.

O que o filósofo mostra é que, apesar de toda a retórica sobre a “elite”, quem mais sofre com esses “movimentos sociais” são os pobres, os trabalhadores, a classe média que corta um dobrado para sustentar a família a despeito de todos os obstáculos criados pelo governo.

Mas essas vítimas são vistas como massa de manobra ou seres insignificantes para aqueles autoritários que enxergam as ruas como “quintal de seus comitês”. Tudo, naturalmente, é feito em nome do “povo”. Pondé conclui, lembrando do caso de nossos vizinhos para reforçar seu alerta: “Se não bastasse isso tudo, vem aí o controle social da mídia. Dizer que será apenas para evitar monopólios é achar que somos idiotas. Veja o que aconteceu na Argentina”.

E então? Ainda acha que é paranoia da direita retrógrada essa coisa de ameaça socialista em pleno século 21?

Rodrigo Constantino

Portal Veja – Blogs e Colunistas 16/06/2014 às 11:02

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