Reunião preparatória para a Virada do Cerrado

José Garcia-Dedé

Na última quinta feira, dia 30/7, tivemos um encontro importante entre a comunidade ambientalista do Distrito Federal, educadores e o poder público na reserva ecológica (área de preservação ambiental – APA) e parque recreativo do Gama (a Prainha) que, historicamente, sempre foi e, até hoje, é vocacionado a vivências ecossociais. Pela primeira vez, a comunidade sentiu-se respaldada por ouvir, no mesmo tom, a voz da administradora regional do Gama, Professora Maria Antônia e do administrador de Santa Maria, Nery Moreira que, mesmo sendo de outra RA, veio ao encontro para falar da importância da reserva ecológica em relação à memória das comunidades do Gama e do Entorno.

Nessa reunião, as pessoas presentes sentiram-se fortalecidas com as palavras da administradora regional que falou que é a primeira vez que um político, no caso Rollemberg, se interessa pelo local. A professora foi clara ao afirmar que quer participar de uma atividade na semana da Virada do Cerrado, mas que tenha continuidade. Ela quer, sim, ouvir os moradores que são os maiores interessados em ter a Prainha como local de preservação e de educação ambiental.

A reserva, que tem 137 hectares e uma beleza cênica incomum, vem sendo sucateada governo após governo. Por esse motivo, a comunidade, que historicamente manteve estreitas relações com o parque recreativo, entusiasma-se ao ouvir aquelas vozes. Os dois administradores disseram que o parque recreativo sempre foi administrado pela RAII. Eles não veem sentido que esse importante parque seja administrado por quem não conhece a sua história. A comunidade, também, está de acordo com esse raciocínio e defende a ideia de que o IBRAM deve ser o órgão orientador, normatizado e fiscalizador das atividades a serem propostas e implementadas na área, sempre em consonância com a secretaria de Educação e com todos os órgãos de governo, principalmente agora que Rollemberg é quem governa e seu discurso é pautado na sustentabilidade. 

Porém, a forma de gestão adotada pelos órgãos que tem se responsabilizado pela reserva e por seu parque vem fazendo uso de um modelo administrativo que exclui a participação da comunidade. Basta ver as imagens de tempos anteriores da estrutura da Prainha e do projeto Vida no Parque. É estarrecedor ver a situação de abandono. Até as cabanas em estilo colonial, que antes havia ali, formando uma bela esplanada, foram destruídas. Como podem permitir que derrubem edificações e logo em seguida aventem a possibilidade de novas construções dentro da reserva? Isso é inaceitável. A infraestrutura referida era suficiente para as atividades ecossociais. Hoje, apesar de terem instalado um posto de polícia ambiental no local, o parque segue sendo palco de invasões e perde em atividades ecopedagógicas. A comunidade não tem qualquer diálogo com o ambiente. Quanto à possibilidade de novas construções, vamos pedir vistas ao projeto, mas já adiantamos que somos contra e queremos resgatar nossa esplanada e implantar novo programa de educação ambiental. Não aceitamos mais o adensamento populacional que sufoca a reserva por todos os lados. Basta de devastação!

Fotos de dezembro de 2012:

 

Fotos atual de agosto 2015

  

O pensamento sustentável defendido por Edgar Morin aponta para o despertar ecológico eticamente válido e o construtivismo de Paulo Freire fala em vivência, em participação. Então, a população só concretizará o gosto pela área sevier a tomar parte do cuidar. Sem conhecimento não há pertencimento. É o que deve ser resgatado, a exemplo da piscina que havia na área, de modo que se valorize a água como meio de educação e cultura, algo que é valorizado por Vera Catalão sob a fenomenologia de G. Bachelard. Também, o Projeto Vida no Parque, até hoje, é lembrado pela população e artistas, que atuam na cidade, surgiram de oficinas de arte ali ministradas. Os veículos de comunicação privilegiavam o programa estampando nas primeiras páginas. Para atender as escolas, eram necessárias agendas de espera, haja vista o enorme interesse da comunidade em participar.

Vejo que esse governo mantém o seu discurso. Rollemberg assumiu um compromisso público com a população do Gama. Ao fazer a sua campanha, o candidato, olhando para Prainha, disse: “Eu assumo esse compromisso: a Prainha será priorizada”. Reconheço que elevem dando importância à cultura e chegou a hora de dar ênfase ao meio ambiente. A Prainha, para nós, é uma grande escola não formal, uma biblioteca a céu aberto e não é possível pensar isso aqui sem crianças, sem a comunidade.

Precisamos das universidades e de bons parceiros, pois o que nos interessa é a conceituação e uso da APA e do parque que, em nosso caso, são indissociáveis. Por enquanto fica uma pergunta: o que vem a ser Virada do Cerrado? Alguém poderia nos explicar? Para a implementação de qualquer atividade dentro da Prainha, antes, é necessário a realização de um seminário para discutirmos, participativamente, questões sobre a necessidade da conservação do ecossistema dessa APA e parque recreativo do Gama (a Prainha), o que inclui a qualidade das ações nesse ambiente e o zelo pela água.

Fotos da Prainha atual de agosto 2015. Clique aqui!

Fotos da Prainha em Julho de 2013. Clique aqui!

Fotos da Prainha em dezembro de 2012. Clique aqui!

Fotos históricas da Prainha. Clique aqui!


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